Avanços no melhoramento mantêm produtividade da soja Bt estável mesmo sob variações sazonais no Norte do Brasil
Estabilidade em meio à variabilidade
A produtividade da soja Bt no norte do Brasil mostrou-se surpreendentemente estável entre as estações seca e chuvosa, resultado que reflete décadas de investimento em melhoramento genético e tecnologias adaptativas. O estudo, realizado no estado do Tocantins e publicado na revista Sustainability (2024), analisou lavouras comerciais em Formoso do Araguaia e Gurupi durante as safras 2017/18 e 2018/19. Apesar das variações climáticas marcantes, as produtividades médias permaneceram próximas de 4,3 toneladas por hectare, conforme demonstrado na Figura 1, que evidencia a consistência entre as duas estações.
Melhoramento genético e biotecnologia como pilares
O desempenho estável observado está fortemente associado aos avanços no melhoramento genético da soja Bt, que combinam resistência a insetos-praga com tolerância ao glifosato e maior eficiência fisiológica sob estresse térmico e hídrico. Essas características, incorporadas a cultivares como a M8808 IPRO, possibilitaram a manutenção do rendimento mesmo em condições de déficit hídrico e alta radiação solar. Como mostrado na Figura 2, a curva de rendimento se manteve linear, indicando a capacidade da planta de compensar perdas pontuais por mecanismos fisiológicos de resiliência.
O papel do manejo e da irrigação
Além da genética, o manejo agronômico adaptado ao regime climático tropical desempenhou papel decisivo. A adoção de sistemas de irrigação suplementar e o uso criterioso de inoculantes e fertilizantes ajudaram a mitigar perdas por estresses abióticos e a manter o potencial produtivo. De acordo com o estudo, as perdas médias variaram entre 900 e 1000 kg/ha — variação considerada normal e controlável dentro de um sistema de alta eficiência (ver Figura 3).
Desafios biológicos ainda persistem
Mesmo com a biotecnologia, o estudo aponta que as pressões de pragas e doenças ainda representam desafios relevantes. Durante a estação seca, predominam pragas de solo e corte de plântulas, como Agrotis ipsilon e Elasmopalpus lignosellus. Já na estação chuvosa, os percevejos (Euschistus heros, Nezara viridula e Piezodorus guildinii) e fungos como Cercospora kikuchii causam perdas significativas, conforme ilustrado na Figura 4. Esses dados reforçam que o manejo integrado de pragas e doenças deve continuar sendo prioridade, mesmo em sistemas Bt.
Estresse reprodutivo: o elo sensível
Outro fator identificado foi o aborto de flores e vagens malformadas, que afetou de forma semelhante ambas as estações. Essas perdas, mais associadas a estresses térmicos e hídricos do que a fatores bióticos, destacam a importância de estratégias de manejo nutricional e fisiológico. As práticas de adubação equilibrada e o uso de bioestimulantes vêm sendo apontados como alternativas para reduzir esse tipo de perda e garantir melhor formação de vagens e enchimento de grãos, etapa crítica do ciclo (ver Figura 5).
Uma agricultura resiliente e em evolução
Estabilidade em meio à variabilidade
A produtividade da soja Bt no norte do Brasil mostrou-se surpreendentemente estável entre as estações seca e chuvosa, resultado que reflete décadas de investimento em melhoramento genético e tecnologias adaptativas. O estudo, realizado no estado do Tocantins e publicado na revista Sustainability (2024), analisou lavouras comerciais em Formoso do Araguaia e Gurupi durante as safras 2017/18 e 2018/19. Apesar das variações climáticas marcantes, as produtividades médias permaneceram próximas de 4,3 toneladas por hectare, conforme demonstrado na Figura 1, que evidencia a consistência entre as duas estações.
🔗 Quer saber mais?
O artigo completo está disponível na revista AgriEngineering (2025, v.7, p.67).
👉 (Acesse o estudo completo clicando aqui)
