Espécie invasora – cana-do-reino (Arundo donax L.)

Espécies invasoras são espécies exóticas, existentes em todos os reinos, que de tão bem sucedidas no novo ambiente em que habitam, passam ao causar impactos econômicos e ambientais. Isto acontece devido as altas taxas de crescimento e reprodução destas espécies no local em que foram introduzidas ou em áreas adjacentes onde houve a sua dispersão.

A Arunda donax, comumente chamada no Brasil de cana-do-reino, é uma espécie de gramínea de aproximadamente 6-8m de altura e extremamente agressiva por se reproduzir e desenvolver rapidamente suprimindo, ameaçando e deslocando a vegetação nativa. Assim, consequentemente a cana-do-reino acaba por alterar a flora e a fauna no ambiente em que foi introduzida. A origem de A. donax não está bem definida na literatura (se a Austrália, Índia, região ao redor do Mediterrâneo), mas de qualquer forma atualmente se dispersou pelo mundo e tem sido introduzida de forma intencional ou não em diferentes locais. Está incluída na lista das 100 espécies invasoras mais agressivas do mundo porque apresenta características excepcionais de adaptação, tais como: crescimento e desenvolvimento rápidos, a partir do seu rizoma, e em diferentes tipos de solos e climas; e alta competitividade por nutrientes, luz e água usando mais água em relação a plantas nativas. Além destas características a cana-do-reino aumenta o risco de incêndio já que é altamente inflamável e pode causar mudanças no fluxo de água em córregos e rios comprometendo a região em que foi introduzida.

Apesar de tudo isso, a A. donax apresenta muitas características desejáveis o que a torna uma planta economicamente atrativa. Ela é considerada uma planta ornamental e serve para diferentes usos como a produção de combustível, fibras e polpas, além de ser utilizada no controle de erosão.  Por essa razão deve ser considerado a relação custo-benefício frente a sua introdução ou não em uma área, pois a sua erradicação é extremamente difícil e dispendiosa envolvendo o controle mecânico. Esta tática de controle tende a ser muito difícil porque o rizoma da planta fica enterrado numa profundidade entre 1-3m e rebrota facilmente requerendo seu controle químico com a aplicação de herbicidas como o glifosato. Existe ainda o controle biológico feito por insetos para auxiliar no manejo da Arunda a longo prazo.

A cana-do-reino atualmente colocou a Nova Zelândia frente a um dilema. Mais ao norte do país houve a invasão pela A. donax e a erradicação da planta está extremamente complexa. A Nova Zelândia é conhecida como um país em que as leis de proteção ao ambiente são levadas extremamente a sério. Contudo, a erradicação da A. donax está causando tanto problema que a agência de proteção ambiental do país relaxou as normas ambientais aprovando a introdução de duas espécies de insetos, originárias do Mediterrâneo, para combater a cana-do-reino. Isto porque esta espécie vegetal está incorrendo em processo destrutivo na região provocando o desalojamento de plantas nativas e a ocorrência de alagamentos.  Decisões como esta não são fáceis de serem tomadas por um país considerado extremamente exigente quando se trata de proteger o meio ambiente. Contudo, para a agência de proteção ambiental do país esse é um risco calculado porque os insetos introduzidos não correm o risco de hibridizar com espécies nativas e nem estabelecer populações no país. Além disto, estes agentes de controle biológico já foram utilizados com sucesso contra a cana-do-reino nos EUA e Ilhas Canárias.

No Brasil foi feito o mapeamento de A. donax no Distrito Federal como uma forma de monitoramento da expansão da espécie, chamando a atenção para a presença da planta em áreas próximas a locais com obras como rodovias, aterros e depósitos de entulhos. Ao que parece a A. donax ainda não causa grandes problemas no Brasil, mas como a cana-do-reino é parente do bambu pertencente à mesma família, Poaceae, vale a pena ficar de olho.

N.M.P. Guedes

06/12/2017

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