Insetos Exóticos

Espécies introduzidas são aquelas que não sofreram processos evolutivos naturais em um determinado local e que, de alguma forma, foram introduzidas em um ambiente distinto do seu local de origem. Tais espécies são frequentemente conhecidas como espécies exóticas e abrangem diversas ordens de insetos (Classe Insecta).

A forma pelos quais os insetos são introduzidos num novo ambiente são diversas. Porém seja de forma legal para auxiliar no controle de pragas ou, muitas vezes, de maneira ilegal para beneficiar terceiros, a vasta maioria deles são introduzidos pelo homem de forma mais intencional do que acidental. O melhor exemplo disto é o uso desses insetos no controle biológico de plantas daninhas e insetos pragas da agricultura como moscas, besouros, mariposas, percevejos e tripes.

Uma forma interessante do uso de espécie introduzida no controle biológico foi a introdução na Colômbia de uma formiga de origem brasileira, a Paratrechina fulva, para controlar cobras venenosas em vez de insetos pragas. Mesmo quando usadas como agentes de controle biológico aplicado, a maioria dessas espécies introduzidas de insetos não sobrevivem, pois falham em se estabelecer como populações num ambiente diferente do seu habitat natural. Entre as espécies introduzidas de parasitóides apenas 30% delas conseguem estabelecer populações para controlar insetos pragas.

O impacto causado por essas espécies é difícil de quantificar pois algumas são benéficas ao ambiente em que são introduzidas. Por isto alguns recomendam que é mais seguro dizer que a maioria das espécies introduzidas não causam maiores impactos já que a maioria delas não causa problemas e poucas conseguem estabelecer populações de insetos. Mesmo assim, algumas causam danos enormes gerando grande impacto ecológico e econômico, ainda mais quando se trata de uma praga exótica invasora como a traça-do-tomateiro Tuta absoluta (assunto a ser relato em outra notícia), que causou vultuosos prejuízos econômicos aos horticultores brasileiros envolvidos principalmente com o plantio de tomate.

Uma resposta a introdução dessas espécies exóticas problemáticas pode ser a erradicação, particularmente para aqueles insetos que não se dispersaram para áreas adjacentes à invadida. Muitos insetos introduzidos têm sido erradicados. Talvez uma das mais expressivas erradicações feitas foi a erradicação química do mosquito da malária de origem africana Anopheles gambiae, que foi conseguida no nordeste brasileiro entre 1939 e 1940. Contudo, tem havido falhas desastrosas de erradicação. Os métodos de controles químicos e biológicos são os mais comumente usados para o manejo das espécies exóticas. Existem sucessos e falhas no uso de ambos métodos. Antigamente o DDT foi muito utilizado na erradicação de insetos introduzidos, contudo devido as suas características nada ecologicamente correta (alta persistência no ambiente, não seletivo e lipofilicidade) ele foi banido e outros inseticidas com características químicas mais favoráveis passaram a ser utilizados, sendo considerados formas eficazes de controle na erradicação de pragas introduzidas. Mesmo assim o uso frequente de inseticidas é problemático pois os insetos podem desenvolver resistência a estes compostos e seu custo pode ser elevado por requerer aplicações frequentes, o que acaba por favorecer ainda mais o desenvolvimento de resistência a inseticidas. Outra alternativa para a erradicação de insetos introduzidos é o uso do controle biológico, principalmente considerando-se que em muitas áreas naturais a aplicação continuada de inseticidas é particularmente indesejável.

N.M.P. Guedes

21/11/2017

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