Insetos na alimentação

Muitas questões estão sendo levantadas ultimamente sobre o mapa da fome no mundo, e esta talvez seja a principal preocupação nos dias de hoje. Desperdício de alimento, perdas em produtividade, poluição e deficiência nutricional são alguns dos aspectos questionados por todos aqueles que se preocupam com o próximo. Mas então, o que a entomologia tem a ver com isso?

Por serem o grupo de maior abundância sob a face da Terra, os insetos estão presentes em todos os ambientes onde se produz alimento. De uma maneira ou de outra, estes pequenos organismos estão envolvidos na produção de alimentos, vegetal ou animal.

Se por um lado os insetos diminuem a produção de alimento com a transmissão de doenças e pelo próprio consumo de vegetais, por outro lado a entomofagia (consumo destes organismos) pode ser uma alternativa viável para suprir algumas necessidades nutricionais. Mediante esta possibilidade a FAO já vem questionando a algum tempo o consumo de insetos, principalmente em países de baixa renda e com problemas de desnutrição.

O valor nutricional dos insetos chega a ser tão variado quanto à diversidade de espécies existentes nesta classe de organismos. Por este motivo é difícil se comparar os teores nutricionais entre insetos comestíveis com os alimentos comumente consumidos pelo ser humano. Mas, de uma forma geral, os insetos são consideravelmente mais nutritivos do que as outras fontes de alimento.

 

Além de excelente fonte de proteína, os insetos possuem também um elevado teor nutricional. Muitas espécies possuem uma quantidade de vitamina D elevada (aproximadamente 165 U.I. por 100g) bem como a vitamina B2 (0,66 miligramas /100 g), vitamina C (17,60 miligramas / 100 g) e Omega-3 (3,6 gramas / 100g). Como podemos observar, esta é uma excelente fonte nutricional, superando os alimentos convencionais como carne bovina, suína e até mesmo os peixes.

Acha que acabou? Não! Os benefícios vão além dos nutricionais. Outro ponto positivo para o consumo de insetos está em sua taxa de conversão alimentar. Esta taxa consiste na relação entre a quantidade de alimento consumido pela quantidade de alimento produzido. Os animais de sangue quente possuem uma taxa de conversão alimentar elevada. O gado de corte, por exemplo, consegue converter aproximadamente 8kg de alimento em 1kg de carne para consumo humano. Já os insetos são bem mais eficientes e conseguem converter entre 1,5 e 2 kg de ração em 1 kg de carne comestível, e fazem isso eliminando aproximadamente 100 vezes menos óxido nitroso (um agravante do efeito estufa).

Mesmo com os aspectos culturais e falta de divulgação, estes são uma boa fonte para a alimentação humana ao redor do globo. Só para se ter uma ideia, estima-se que cerca 1500 espécies ao redor do mundo já fazem parte da dieta do ser humano. Seja consumido vivo ou desidratado, os insetos podem ser uma alternativa viável, com elevado teor nutricional e ecologicamente correto para se incluir em nossos cardápios. Basta uma rápida busca na internet que nós encontramos diversas receitas de doces, salgados, pães e molhos com insetos como ingredientes principais.

Bon appétit.

 

Chediak, M.