Ultimamente muitas pessoas sentem-se desconfortáveis quando o assunto são os transgênicos e outras tantas sentem repulsa por estes produtos. Mas você já se perguntou por que isso acontece? Seriam estes produtos realmente prejudiciais a ponto de surgirem tantas críticas e protestos? É sobre isso que trataremos hoje, sobre o medo que se tem dos tão famosos produtos transgênicos.

Para começar, o que é um transgênico e o que é um Organismo Geneticamente Modificado (OGM)? De acordo com a IN 29/2010 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), organismos geneticamente modificados (OGMs) é todo organismo cujo material genético (DNA ou RNA) tenha sido modificado por qualquer técnica de engenharia genética. Já os transgênicos são organismos que sofreram esta mesma modificação, porém obrigatoriamente houve a inclusão de um ou mais gene oriundo de outra (s) espécie (s). Sendo assim, todo transgênico é um OGM mas nem todo OGM é um transgênico. Neste artigo trataremos tudo como OGM.

Hoje em dia a discussão sobre os OGMs é pratica cada vez mais frequente. De um lado opositores questionam a segurança e necessidade de se utilizar um OGM. Do outro, os defensores argumentam que estas plantas são seguras ao homem e necessárias para a agricultura.

Sabe-se hoje que benefícios ao homem e ao ambiente são relatados na comunidade científica quando o assunto são os OGMs. Eles são responsáveis, por exemplo, pela produção de insulina e pesquisas estão sendo desenvolvidas para se utilizar OGMs como biofábricas de medicamentos contra doenças, como a AIDS.

Já quando o assunto é a agricultura, muitos trabalhos mostram que a implantação de OGMs traz benefícios aos agricultores. Benefícios estes que vão desde a diminuição do uso de pesticidas até o aumentando da produção agrícola e, consequentemente, o aumento do lucro. Além disso, esta tecnologia vem sendo levantada como uma saída para erradicar a fome em países subdesenvolvidos. Isso se deve principalmente à possibilidade de se adicionar características como a resistência à seca e aumento dos teores nutricionais nestas plantas. Com isso, comunidades pobres sem renda para aquisição de áreas férteis ou de sistemas de irrigação, poderiam efetivamente cultivar seus alimentos e melhorar sua alimentação, renda e nutrição, o que pode ser conferido aqui e aqui.

Apenas esses fatos não fazem desta uma tecnologia plausível de uso. Para que isso ocorra, o consumo destas plantas deve ser algo seguro, correto? Bom, este é um assunto que se mantém em pauta na comunidade científica e não científica. Já foi demonstrado que o consumo destas plantas é seguro e, segundo um trabalho realizado por pesquisadores e publicado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos em forma de um relatório:

“não há evidências de aumento na incidência de câncer, obesidade, doença hepática, autismo, doença celíaca ou alergias alimentares”

“não há evidência conclusiva de uma relação de causa e efeito entre culturas transgênicas e problemas ambientais”

Após a leitura desse relatório o professor, Wayne Parrott, de Culturas Agrícolas e Ciências do Solo da Universidade da Georgia (EUA) chegou á conclusão que:

“…as plantas transgênicas são mesmo apenas plantas. Elas não são a panaceia que clamam alguns proponentes nem o temível monstro apontado por outros”.

Vale lembrar que nenhum membro envolvido neste relatório era de empresas do setor de biotecnologia agrícola tais como @monsanto, @dupont, @bayer ou @basf.

Mesmo assim muitas pessoas continuam com receio de consumir os chamados OGMs (e transgênicos), e até de estar em uma lavoura de plantas geneticamente modificadas. É comum ver por aí charges ironizando os OGMs, mas será que isso é verdade? Este medo realmente tem algum fundamento? Será que esta tecnologia é tão prejudicial ou este medo tem outro embasamento que não o científico?

Bom, segundo algumas pesquisas, este medo pode não ser algo concreto. Um artigo publicado por pesquisadores belgas da Universidade de Ghent descreve os motivos do medo de OGM que se tem hoje e, segundo eles, isso tudo “é coisa da sua cabeça”. Estes autores sugerem que isso tudo faz parte de uma abordagem cognitiva, e que pouco tem relação com a ciência propriamente dita. Neste artigo são descritos os principais “mecanismos” que levam a este entendimento errôneo sobre os OGMs, tais como:

Biologia folclórica: quando, por exemplo, se considera o DNA como a essência do organismo. Com isso, ao se transferir parte do DNA de um organismo para outro, esta essência e diversas outras características seriam transferidas. Tanto é que, quando questionadas sobre a transferência de um gene do peixe catfish (que confere resistência ao frio) para tomate, muitas pessoas acreditam que o gosto de peixe será transferido, e isso não ocorre.

Intuição teológica e intencional: normalmente relacionada às crenças religiosas, este fenômeno induz às pessoas a acreditar que a engenharia genética é o oposto de “natural”. Com isso, quem trabalha com OGMs estaria “brincando de Deus”. É obvio que isso não condiz com a verdade pois o DNA não é apenas um composto orgânico, ou seja, substância química.

Emoções: isso consiste na tendência de se acreditar que uma a planta que recebeu um gene de um organismo “sujo” ficaria também “suja”, criando uma sensação desagradável. Conjuntamente, as propagandas anti-OGM tendem a vincular a imagem destas plantas à abusos socioeconômicos. Com isso, toda a cadeia produtiva de OGM (de quem produz até quem consome) tende a não ser bem visto.

Popularidade: intuições amplamente compartilhadas e representações apropriadas tem mais chance de serem divulgadas e aceitas. Quando isso ocorre estas intuições podem se tornar um conjunto de comportamentos característicos e típico em determinado nicho social, ou seja, “atratores culturais”.

Junte tudo isso acima descrito com uma pitada de sensacionalismo, ligue qualquer problema real e concreto com o consumo de um OGM (mesmo sem nenhuma verdade nisso) e você terá uma “evolução adaptativa particular”, ou seja, intuição. Mas não pense que isso é exclusivo de OGMs. Só para se ter uma ideia, a maioria das pessoas ultimamente sentem mais medo de aranhas ou de cobras do que de carro, mesmo sabendo que existem mais problemas de acidentes e mortes relacionadas aos carros.

Portanto, sem entrar no mérito da necessidade de se utilizar um transgênico ou OGM, acredito que esta tecnologia seja seguras sim, apesar das propagandas negativas que ainda existam.

 

Chediak, M.

Nas últimas safras, os produtores de milho têm sofrido com ataques severos dos percevejos Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus (Hemiptera: Pentatomidae), conhecidos popularmente como percevejos-barriga-verde. Atualmente, estes percevejos estão entre as principais pragas do milho, ocasionando danos a cultura pela sucção de seiva e injeção de toxinas em plântulas recém emergidas. Algumas estratégias têm sido adotadas para o seu controle, porém com resultados pouco consistentes.

Para entender melhor o problema do percevejo-barriga-verde na cultura do milho é preciso olhar o manejo dessa praga em uma visão sistêmica, ou seja, em um aspecto geral e não apenas como mais uma praga da cultura. Só assim, é possível entender que os problemas ocasionados pelos percevejos não englobam apenas a cultura do milho e podem estar relacionados a vários fatores das atuais práticas de manejo. Então, em uma visão sistêmica e “não romantizada” a história é mais ou menos assim:

 

Primeiro ponto

Nas principais regiões produtoras de milho do Brasil, o sistema de cultivo adotado é basicamente a rotação de soja-milho ou milho-trigo (safra-safrinha). O uso de rotação de culturas é uma prática recomendada no manejo de pragas (controle cultural), pois possibilita “quebrar” o ciclo biológico das pragas pela indisponibilidade de condições favoráveis ao seu desenvolvimento (ex. disponibilidade de alimento). Entretanto, essa prática só é realmente efetiva quando a praga não ocorre em ambas culturas usadas na rotação, o que não é o caso do percevejo-barriga-verde, pois ele é considerado praga também nas culturas da soja e do trigo. Nestas culturas, apesar de uma importância secundária, o percevejo-barriga-verde pode ocasionar danos significativos, sendo observado nas últimas safras aumento populacional na cultura da soja. Desse modo, em áreas onde a soja antecedente a cultura do milho, é de se esperar a ocorrência de “altas” populações de percevejos-barriga-verde já no início da germinação do milho, acarretando em perdas significativas de produção.

Moral da história: “Pulando de galho em galho, percevejo-barriga-verde é arroz de festa”. Isso reforça que o monitoramento dessa praga deve ter início já na cultura antecedente, afim de nortear melhor a adoção de medidas de manejo.

Segundo ponto

Atualmente existem poucos ingredientes ativos disponíveis no mercado para o manejo de percevejos, o que é realizado em grande parte com a aplicação de neonicotinoides. Diante disso, o que temos é um cenário com alta pressão de seleção nas populações destes percevejos. No caso do percevejo-barriga-verde, a seleção é praticamente constante, uma vez que neonicotinoides são aplicados em grande escala em culturas antecedentes ao milho e hospedeiras do percevejo, como a soja. Então, quando a cultura do milho é semeada, na grande maioria com uso de neonicotinoides no tratamento de sementes, não é de assustar os diversos casos de falhas de controle relatados.

 

Moral da história: “É tudo farinha do mesmo saco”. É importante entender que a rotação de “produtos”, com mecanismos de ação diferentes, é um dos primeiros passos para manejar populações resistentes e evitar possíveis falhas de controle.

Terceiro ponto

Nós sabemos que o agroecossistema é uma complexa rede de interações entre organismos e que a introdução de “novas” tecnologias no sistema de produção, como cultivos Bt (soja e milho) para controle de grupos específicos de pragas (ex. Lepidópteros), pode modificar essas interações. Com isso, quando a presença de um dos componentes dessa interação é reduzida por efeitos diretos ou indiretos dessas tecnologias, a tendência é que outro componente da interação ganhe maior importância.

 

Moral da história: “Quando o gato sai, o rato faz a festa”. Mais pesquisas devem ser feitas para entender a dinâmica da introdução de novas tecnologias no campo. Compreender os efeitos dessas mudanças não é fácil e muito menos rápido.

Quarto ponto

Muito pouco se fala em seletividade de pesticidas, apesar de pesquisas comprovarem que o uso indiscriminado de produtos com baixa seletividade aos inimigos naturais, contribuem para que as pragas atinjam o nível de dano econômico mais frequentemente. Acredito que a falta de discussão sobre este tema esteja na incompreensão da importância dos inimigos naturais, pois muitas vezes é difícil quantificar a contribuição destes agentes de controle em valor monetário. Mas acreditem, os inimigos naturais contribuem mais para o controle das pragas do que qualquer produto químico. Pensem comigo: Existem mais de um milhão de espécies de insetos identificadas no mundo e estima-se que existam outras tantas ainda desconhecidas. Desse total, menos de 10% são consideradas pragas. Então, quem você acha que está manejando estas espécies?

 

Moral da história: “Os inimigos naturais pagam o pato”. Pesquisas sobre controle biológico e seletividade existem, o que falta é colocar esse conhecimento em prática.

 

Quinto ponto

No campo é comum ouvir que a aplicação do inseticida de “carona” com a aplicação de herbicidas ou fungicidas, reduz os custos da aplicação. Entretanto, o que não se comenta é que essa prática pode acarretar em falhas de controle. O primeiro problema da “carona” é com o time da aplicação. Quando se aplica o inseticida junto aos herbicidas/fungicidas é quase certo que o inseticida vai ser aplicado no momento errado, quando a praga ainda não atingiu o nível de controle ou na pior hipótese quando ela já ultrapassou. O segundo problema é a rotação de produtos, na verdade a falta dela. Isso porque, quando o produtor realmente necessitar aplicar um inseticida, ele provavelmente usará o mesmo produto que foi aplicado na “carona”. Com isso, tem-se um aumento na pressão de seleção e uma maior chance de selecionar indivíduos resistentes. Como terceiro ponto, temos o desconhecimento das propriedades físico-químicas da calda resultante da mistura. Esta mistura pode proporcionar uma modificação no pH da calda, o que tende (ou pode) diminuir significativamente a eficiência dos produtos. Além disso, é importante atentar também para o tipo de ponta de pulverização e volume de calda utilizados, pois cada um dos componentes da mistura (inseticidas, herbicidas e fungicidas) demanda uma tecnologia específica. O que no caso da “carona” não é implementada de forma correta, pois será impossível “agradar a gregos e troianos”.

 

Moral da história: “O barato sai caro”. É preciso colocar em prática o Manejo Integrado de Pragas (MIP), só assim, com o uso de métodos eficientes de monitoramento será possível reduzir aplicações desnecessárias e fora do time.

 

Resumo da história

Agora imagine todos esses pontos interligados, interagindo entre si, tudo acontecendo ao mesmo tempo. Este é o cenário que temos para o percevejo-barriga-verde no milho e para várias outras pragas e culturas. Não espere encontrar uma receita de bolo ou milagrosa para manejar pragas. O importante é compreender que o manejo tem que ser feito observando todo sistema agrícola, integrando estratégias e os métodos de controle disponíveis no mercado. Só assim, o sistema de manejo do percevejo-barriga-verde (e outras pragas) passará de “salve-se quem puder” para “um por todos e todos por um”, tornando-se um sistema mais sustentável e talvez não ficaremos só “tapando o sol com a peneira”.

Gontijo, P. da C.

Bem! Que fique claro: isto não é propaganda. Mas costumo ler a revista American Entomologist. É uma revista publicada pela Entomological Society of American, isto é, é uma revista de sociedade e como toda revista dessas entidades o assunto abordado trata sobre generalidades na área. Na última edição a revista tem anunciado bastante o próximo encontro da sociedade que será este ano em Denver, Colorado.

Desde que eu entrei em contato com essa revista me chama a atenção à presença de artigos escritos pela May Berenbaum, professora e chefe do Setor de Entomologia da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (EUA). Geralmente os artigos escritos por ela são de opinião. São muito interessantes e ao lê-los você percebe que quem os escreve é uma pessoa apaixonada. Apaixonada pelo que? Pelo que faz é claro. Incrível?! Existem pessoas assim e eu sou testemunha de ao menos uma. Mas não foi a May Berenbaum, que nesse sentido, me chamou atenção na última edição da American Entomologist (Fall 2016, vol. 62, nr. 3). Quem me chamou a atenção foi uma entrevista feita por um outro apaixonado pela área, o Professor Emérito do Departamento de Biologia da Universidade de Vermont, Dr. Bernd Heinrich.

Dr. Heinrich nasceu na Polônia em 1940 e desde criança é apaixonado por animais, talvez por influência do pai que foi um importante colecionador e escritor de inúmeras monografias sobre a fauna da Europa, Ásia, África e América. Contudo, provavelmente, o ambiente em que viveu deve tê-lo influenciado, e muito, na escolha da sua profissão. Ainda criança, a família de Heinrich mudou para os Estados Unidos. Cursou Zoologia na Universidade do Maine onde obteve o seu bacharelado (1964) e mestrado (1966). Posteriormente, obteve o seu PhD (1970) na Universidade da Califórnia em Los Angeles. Em 1971, foi contratado por essa mesma universidade, mas em Berkeley, onde se tornou professor de entomologia. Em 1980, ele aceitou uma posição, como professor de biologia, na Universidade de Vermont. Acumulou uma carreira de sucesso com inúmeros trabalhos, documentários e livros publicados. Quem não se lembra dos famosos The Thermal Warriors e o The Hot-Blooded Insects, bem conhecidos por alguns estudantes brasileiros. Ele é um Guggenhein, Harvard e Alexander von Humboldt Fellow. Ganhou vários prêmios na sua carreira e, quem diria, isso não ocorreu apenas estudando fisiologia comparativa e ecologia comportamental que o iluminou em novos trabalhos sobre mecanismos fisiológicos de regulação de temperatura em insetos. Heinrich foi um grande maratonista e acumulou vários prêmios como tal.

Hoje, Heinrich é aposentado pela Universidade de Vermont e desde 2004 já escreveu 6 livros. O último deles publicado em 2016, One Wild Bird at a Time, onde Heinrich retorna a uma das suas paixões que é a observação de pássaros silvestres.

O que me aconteceu ao ler essa entrevista com o Bernd Heinrich é ter me deparado com alguém que nunca “trabalhou”, e sim divertiu-se ao mostrar uma satisfação e alegria imensa pelo que faz. E isso é muito legal. Pessoas assim são exemplos de tenacidade, genuinamente amam o que fazem, e nunca perdem completamente de vista o desafio e o sentido do propósito que os impulsiona. São exemplos a seguir.

 

Guedes, N. M. P.

Sempre que vamos dormir e vem um pernilongo nos incomodar nos perguntamos: por que existem os insetos? Muitos acreditam que insetos servem apenas para nos incomodar durante nossas noites de sono ou para causar prejuízos em lavouras, mas será que é apenas para isso que estes pequenos organismos servem? Será que os insetos não servem para nada de útil? Apesar destes pequenos organismos serem responsáveis por noites mal dormidas, causarem prejuízos em nossas lavouras e transmitirem algumas doenças, os benefícios que eles trazem ao ser humano e ao planeta é enorme.

Uma das grandes vantagens dos insetos, devido ao seu tamanho e ciclo reduzidos, é o seu uso como modelo de estudo em diversas áreas de estudos seja como modelo biológico, evolutivo ou de biomecânica. Vale lembrar que por questões éticas muitas pesquisas são feitas apenas com insetos. Por isso, a Entomologia (ciência que estuda os insetos) traz inúmeros benefícios tanto para o homem como para ciência de um modo em geral e não se particulariza apenas para entender quais as melhores maneiras de se controlar uma praga.

Hoje sabemos, por exemplo, que os organismos responsáveis por uma boa parte da polinização de plantas são os insetos. Algumas angiospermas só gerarão frutos através da reprodução sexuada graças a presença dos insetos que a polinizam. Sem eles a produção de alimentos não daria conta de atender toda a população. Apenas nos EUA, os custos desta polinização, em um cenário sem as abelhas, giraria em torno de 6 bilhões de dólares por ano e em todo o globo se fossem eliminados todos os insetos polinizadores o custo total seria de aproximadamente 100 bilhões de dólares por ano.

Sabe-se que estas pequenas criaturas são responsáveis pela manutenção da composição e estrutura de teia trófica de outros animais. A extinção de alguma espécie de inseto poderia causar uma catástrofe para a sobrevivência de algumas espécies de aves, mamíferos, etc. Muitas vezes, mesmo sendo indesejável, os insetos são fundamentais para se manter um equilíbrio nos ecossistemas.

Os insetos continuam importantes em diversas outras áreas. No solo os insetos têm um papel importante como decompositor de matéria orgânica possibilitando a ciclagem e a fixação de nutrientes e a incorporação de matéria orgânica no solo. São muito importantes tanto para a física quanto para a química do solo. Os insetos também são fontes importante de alimentos. Além de extremamente abundante na natureza, os insetos possuem um teor de proteína acima das carnes tradicionalmente consumidas hoje em dia. Saúvas, tenébrios, grilos e até baratas fazem parte hoje de um amplo cardápio consumidos no Brasil e no mundo.

Por fim, é necessário reconhecer que a relação custo/benefício pesa a favor dos insetos. Ainda bem! Pois como lutar contra o maior grupo animal do planeta? Apesar de reconhecer que muitas vezes os insetos são incômodos, trazem prejuízos (agricultura, residências, eletroeletrônicos, etc) e alguns causam doenças a seres humanos e outros animais, sem eles seria difícil sobreviver. O que nos resta é aproveitar o benefício que eles causam ao meio ambiente e continuar a estudá-los para atenuar ou controlar alguns malefícios que apenas algumas espécies causam.

 

Chediak, M.

Ao contrário do prevalecimento de comunicação visual e sonora no ser humano, a comunicação química prevalece dentre muitos outros organismos na natureza. Essa comunicação é de extrema importância para esses seres, já que muitas vezes é através dela que é possível o indivíduo evitar predação, atrair seu parceiro, informar sobre fontes de alimento, avisar sobre possíveis ataques de outros organismos em sua colônia, marcar território etc. Exemplos na natureza desse tipo de comunicação não faltam. Contudo, alguns pesquisadores têm alertado sobre alterações nesse tipo de comunicação e os problemas ambientais que podem advir disso.

Uma possível causa de disruptura ou interferência na comunicação química entre organismos é o uso de poluentes no meio ambiente, não se limitando apenas aos utilizados na agricultura (i.e., agroquímicos) mas, também, os de uso doméstico. Uma vez liberados no ambiente esses compostos não se limitam a afetar apenas organismos terrestres como plantas, artrópodes e mamíferos. Eles também podem afetar organismos aquáticos como zooplanctons, algas, peixes e anfíbios interrompendo a percepção de sinais químicos que possibilitem a sobrevivência destes.

Algo interessante de ser notado é que, geralmente, quando vemos alguma notícia sobre a liberação de poluentes no ambiente, pensamos logo nos efeitos toxicológicos destes compostos, tais como, mortalidade, efeitos mutagênicos e carcinogênicos. Isto é, efeitos que ocorrem internamente no organismo causando a mortalidade dos indivíduos e assim reduzindo a população destes. Um exemplo disso foi o desastre ecológico ocorrido no Rio Doce causado pelo rompimento de uma barragem em Mariana (MG). Na época, toda a imprensa noticiou que devido à contaminação do rio muitos peixes foram mortos, a água estava contaminada e não poderia ser bebida, alimentos advindos do rio ou do delta dele não poderiam ser consumidos, etc. Contudo quase não foi noticiado o efeito que esses poluentes, mesmo em pequenas doses, poderiam causar ao longo do tempo a outros seres vivos que sobreviveram a esse desastre. Um dos problemas desse tipo de contaminação, descontada à mortalidade rápida, é o comprometimento da reprodução do indivíduo, pois a energia armazenada em seu corpo será alocada para viabilizar a sobrevivência. Outro problema, que é muito mais sutil e só mais recentemente tem despertado o interesse dos pesquisadores, é o efeito que esses poluentes terão na comunicação intra e interespecífica, através de seus feromônios e aleloquímicos, entre os indivíduos que persistem nessas áreas poluídas.

Hoje, apenas algumas inferências são feitas sobre o assunto e muito pouco no contexto brasileiro. É sabido que esses poluentes interagem com algumas rotas bioquímicas do organismo desencadeando uma cascata de eventos que pode levar a alteração no comportamento do indivíduo com consequências a sua sobrevivência e reprodução. O importante aqui é alertar que poluentes podem causar não apenas a interrupção de processos internos ao organismo, inclusive relevantes ao seu comportamento, mas também a interrupção de informação externa o que, provavelmente, afetará a comunicação entre organismos diferentes ou não trazendo consequências para populações e comunidades no ambiente afetado que poderá ter sua composição e estrutura alteradas.

 

Guedes, N. M. P.

Será que os inseticidas são substâncias que apenas matam os insetos? É sobre isso que vamos falar um pouco hoje.

Bom, qualquer substância que tenha o sufixo cida (do Latim caedere, “matar, imolar, derrubar”) sempre nos remete a algo danoso, que mata. Apesar de importante este efeito letal aos insetos, ele nem sempre é o que requer mais nossa atenção, principalmente quando estamos falando de inseticidas. Neste caso, este conceito tende a abranger mais respostas do que apenas a morte do inseto, e é sobre isso que vamos conversar hoje.

Logo após a aplicação de um inseticida em determinado campo, o mesmo começa a ser degradado pela ação ambiental (principalmente), diminuindo assim a quantidade de inseticida presente nas plantas. Esta degradação ocorre rapidamente no início quando as doses estão altas, diminuindo a sua velocidade com o tempo. Com isso, em pouco tempo os insetos presentes na lavoura ficarão expostos a doses abaixo da dose letal, e isso se permanece na maior parte do tempo. Este tipo de exposição pode promover uma diversidade de respostas nestes insetos, respostas que dependem dos insetos em questão, das características dos inseticidas e da quantidade destes inseticidas presentes na superfície das folhas. Já se sabe hoje que estes efeitos subletais que os pesticidas podem causar nos organismos tem muita importância, porém é pouco estudado.

As consequências aos insetos expostos a inseticidas, e particularmente exposição subletal, pode levar a diversas consequências aos organismos expostos, inclusive consequências positivas aos mesmo. Quando estes organismos estão expostos a estas doses subletais eles podem sofrer uma “resposta invertida”, ou seja, ser beneficiado por esta exposição. Este fenômeno é conhecido como hormese (saiba mais aqui) e pode ter importantes consequências práticas. Para se ter uma ideia basta imaginar uma população de insetos que, nestas condições, tendem a aumentar sua reprodução significativamente. Como esta exposição ocorre durante boa parte do tempo, isso pode ser catastrófico para a cultura. Determinar este tipo de efeito é um trabalho complicado, porém de extrema importância pois pode ser a explicação para diversos eventos como, por exemplo, surtos e erupções de pragas, alteração de dominância de espécies e interferência em interações entre organismos.

Muitos fenômenos observados atualmente podem estar relacionados a esta exposição. Não é de se espantar, por exemplo, que os surtos de Euchistus heros estejam relacionados a este fenômeno. Por este motivo muitos estudos ainda precisam ser realizados neste sentido, e muito ainda tem que ser detalhado pela ciência. Porém, a percepção equivocada da atividade inseticida e a simplificação dos potenciais efeitos causados por estes compostos podem comprometer o reconhecimento da importância dos seus efeitos subletais e suas consequências.

 

 

 

 

É com muita alegria e satisfação que recebemos a notícia da aprovação de nossa equipe no processo de incubação, realizado pela Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do CenTev/UFV (IEBT) (Veja mais aqui.). Este ano o edital foi lançado em janeiro e todo o processo foi finalizando em meados de março com o lançamento dos resultados. Para a equipe ENTO+, todo o processo se iniciou em meados de 2016, quando nossa equipe ingressou na pré-incubação, onde permanecemos por seis meses. Com certeza este processo foi de crucial importância para nosso fortalecimento e sucesso nesta seleção.

Foi durante a pré-incubação que nossa equipe conseguiu suporte e conhecimento essenciais para nosso foco como empreendedores. Neste período delineamos toda a estrutura de nossa empresa, realizando atividades importantíssimas para nosso crescimento como empreendedores. Agora nesta nova etapa, vamos nos fortalecer ainda mais como empresa, na estruturação do nosso negócio e em nossa formação como empreendedor.

Tamanho foi o sucesso da equipe ENTO+ nesta etapa que nosso diretor de pesquisa, Mateus Chediak, mal iniciou seu treinamento e já foi convidado a palestrar para alunos da UFV (Veja mais aqui). A palestra teve como objetivo encorajar os alunos a ingressarem no mundo empreendedor. Segundo Mateus, o convite foi uma surpresa para toda a equipe ENTO+, que aceitou o desafio com entusiasmo e alegria. “Este convite foi uma grande surpresa para toda nossa equipe. No processo de pré-incubação foram onze equipes, destas apenas cinco entraram na incubação nesta última seleção. Além disso, várias outras empresas já estão incubadas na CenTev/UFV (IEBT). Receber um convite deste só reforça nosso entusiasmo com a ENTO+.”.

 

Chediak, M.